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Da expansão ao uso real: o que os dados de recarga mostram sobre a consolidação da eletromobilidade

A RECAR analisou a performance dos mesmos pontos de recarga entre dezembro/24 e dezembro/25 para medir o crescimento real da demanda por mobilidade elétrica. O estudo revela aumento expressivo de usuários, energia consumida e taxa de utilização, além da consolidação da recarga residencial, indicando a maturidade do mercado brasileiro.

O mercado de veículos elétricos no Brasil já superou a fase de experimentação. O que antes era novidade agora se consolida como rotina. Em vez de apenas expansão de infraestrutura, o setor vive um ciclo consistente de adoção, recorrência e aumento real de uso.

Na RECAR, entendemos que o melhor indicador da maturidade desse ecossistema não está apenas no número de novos carregadores instalados, mas na intensidade de utilização da rede já existente.

É o uso recorrente e não somente a expansão física que comprova a consolidação da eletromobilidade.

Metodologia: Performance em Base Comparável (Like-for-like)

Para medir essa evolução com precisão, adotamos a metodologia de Base Comparável (Like-for-like).

O estudo desconsidera a ampliação da rede ao longo do período e analisa exclusivamente o desempenho dos mesmos carregadores que já estavam operacionais em novembro de 2024, comparando os resultados de dezembro/24 versus dezembro/25.

Dessa forma, isolamos o crescimento orgânico da demanda e observamos apenas a mudança real de comportamento dos usuários.

Os resultados superaram as projeções mais conservadoras do mercado.

Principais indicadores de crescimento (YoY)

Base de usuários: +143%

O dado mais expressivo do período foi o aumento no número de usuários ativos nos mesmos pontos de recarga.
A expansão da frota elétrica não apenas cresceu, ela passou a utilizar a infraestrutura pública e semipública com muito mais frequência.

Energia consumida: +40%

O volume total de energia dispensada acompanhou o avanço da base de usuários, indicando maior intensidade de uso.

Total de recargas válidas: +44%

Mais sessões de carregamento por ponto demonstram maior recorrência e dependência da rede.

Taxa de utilização: +5,10 p.p.

A eficiência operacional da infraestrutura também evoluiu. Os equipamentos passaram a operar com maior ocupação, otimizando o retorno dos ativos.

Residencial: o novo centro da recarga

Ao segmentar os dados, o comportamento do usuário residencial se destaca como um dos principais vetos de transformação.

Enquanto o segmento comercial manteve crescimento consistente, os condomínios apresentaram avanço exponencial:

  • +246% no número de usuários
  • +95% na energia consumida

Os números confirmam a consolidação do carregamento noturno (home charging) como hábito dominante, aproximando a experiência do abastecimento doméstico à rotina do motorista.

Uma mudança estrutural de comportamento

Para Gustavo Poli, Diretor Executivo da RECAR, os dados reforçam a tese de longo prazo da companhia:

“Analisar a performance em base comparável é fundamental para distinguirmos o crescimento da infraestrutura do crescimento da demanda real. Os números mostram que não estamos apenas instalando carregadores — estamos atendendo a uma mudança estrutural de comportamento. O crescimento de três dígitos na base de usuários comprova que a eletromobilidade deixou de ser tendência para se tornar rotina.”

O próximo passo do setor

Os resultados de 2025 encerram qualquer dúvida sobre a viabilidade operacional do mercado de recarga.

O desafio agora não é mais adoção.
É eficiência, experiência e escalabilidade para suportar um volume crescente de usuários.

A RECAR segue posicionada para liderar esse novo capítulo, com inteligência de dados, infraestrutura estratégica e foco contínuo na performance da rede.

Conclusão: da infraestrutura à inteligência de uso

Os dados de 2025 consolidam um ponto importante para o mercado: a eletromobilidade no Brasil deixou de ser uma aposta futura para se tornar uma operação presente, mensurável e economicamente viável.

Durante os primeiros anos de expansão, o foco esteve na instalação de novos pontos de recarga e na cobertura geográfica da rede. Era necessário criar capilaridade. Hoje, no entanto, o debate evoluiu. O que determina a maturidade do setor não é apenas quantos carregadores existem, mas quanto eles são efetivamente utilizados.

E é justamente nesse aspecto que a análise em Base Comparável se torna estratégica.

Quando observamos um crescimento de três dígitos na base de usuários, aumento consistente nas recargas e maior taxa de ocupação dos equipamentos, fica evidente que a infraestrutura não está ociosa, ela está sendo incorporada à rotina das pessoas. Isso muda completamente a dinâmica do negócio.

Mais uso significa:

  • maior previsibilidade de demanda
  • melhor dimensionamento da rede
  • retorno mais rápido sobre os ativos
  • decisões de expansão baseadas em dados reais, não apenas projeções

Ao mesmo tempo, o avanço expressivo da recarga residencial sinaliza um comportamento mais maduro do consumidor. O veículo elétrico passa a fazer parte do cotidiano, com abastecimento planejado, noturno e conveniente, assim como carregamos um smartphone.

Esse é um indicativo clássico de consolidação de mercado.

Para operadores de infraestrutura, incorporadoras, gestores de condomínios e empresas que investem em mobilidade elétrica, a mensagem é clara: o momento não é mais de teste. É de escala, eficiência operacional e experiência do usuário.

Nesse cenário, inteligência de dados, monitoramento constante de performance e otimização de ativos deixam de ser diferenciais e passam a ser pré-requisitos.

A RECAR segue direcionando sua estratégia exatamente nesse caminho: combinar expansão estruturada com análise profunda de comportamento, garantindo que cada novo ponto instalado responda a uma demanda concreta.

Porque, no fim, a consolidação da eletromobilidade não se mede pelo número de carregadores no mapa, mas pela frequência com que eles fazem parte da vida das pessoas.

E os números mostram que esse futuro já começou.

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